quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Desafio de fazer a Ponte

Cada vez mais a experiência da Escola da Ponte se populariza e, embora tenhamos noção do que consiste sua metodologia, nem sempre a experiência pode ser reproduzida em outros contextos. Lembro-me de uma passagem sobre a escola de SummerHill que falava da reprodução da "escola modelo". Havia uma escola na Suécia - se não me engano - e no pátio eram dispostos ganchos para pedurar casacos pesados de frio, botas para neve e até esqui. Após um período de sucesso e reconhecimento da Escola como "modelo", copiaram para um pais tropical até seu projeto arquitetônico, incluindo o porta esqui...
Talvez, o grande desafio, não seria a tentativa de reproduzir o modelo da Escola da Ponte, sua metodologia e seus procedimentos, mas sim vizar a mesmas condições que precederam sua criação. Lembrando ainda, claro, na manutenção dessas condições.
Hoje a Escola da Ponte conta com uma assembleia de estudantes, associação de pais, uma comunidade organizada e outras tantas ações e programas que culturalmente mantém seu funcionamento.
Vejamos uma experiencia, promovida pelo programa Fantástico, no Brasil, que permitiu a interação cultural de professores com o contexto da Escola da Ponte:

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Ser professor(a)

Segue abaixo o discurso de Regina Duarte durante apresentação do Prêmio Victor Civita: Professor Nota 10.
Criado em 1998, o Prêmio Victor Civita Educador Nota 10 é a principal inciativa da Fundação Victor Civita para a valorização do trabalho docente e a disseminação de práticas educativas de sucesso. Todo ano, são escolhidos dez professores e um gestor escolar, que ganham destaque no site e nas revistas NOVA ESCOLA e GESTÃO ESCOLAR por seus trabalhos de excelência. Eles são selecionados por um grupo de renomados especialistas, que analisa cada um dos milhares de projetos inscritos a cada edição. (www.fvc.org.br)

sábado, 24 de novembro de 2012

A mulher que mudou o próprio cérebro

Curando-se, psicóloga canadense criou método contra a dificuldade de aprender.

por André Bernardo.



Que horas são? A educadora canadense Barbara Arrowsmith-Young, 61, só conseguiu responder a essa pergunta perto dos 30 anos. Problemas neurológicos a impediam de ler, escrever e calcular como qualquer criança de sua idade. Ela até sabia que o ponteiro pequeno marcava as horas e o grande, os minutos, mas não entendia a relação entre eles. No colégio, aprendeu a conviver com xingamentos como preguiçosa, bagunceira e retardada. “Cresci em um mundo confuso e incompreensível porque uma parte importantíssima do meu cérebro não funcionava como deveria”, afirma Barbara, que acaba de lançar The Woman Who Changed Her Brain (A Mulher que Mudou seu Cérebro, ainda inédito no Brasil). 
Foram necessários dias e noites decorando matérias e torcendo para que fosse aquilo que ia cair na prova, mas ela não só conseguiu terminar a escola como fez faculdade e mestrado em psicologia, virando uma especialista no seu problema. Tornou-se autora de um método de condicionamento para o cérebro que hoje ajuda diversas crianças com déficit cognitivo como ela. “Sempre tive certeza do que queria ser quando crescesse.”

Sua vida começou a mudar quando, na faculdade, um ex-colega de turma sugeriu que ela lesse os livros do neuropsicólogo russo Alexander Luria. Um deles, O Homem com um Mundo Estilhaçado, narrava a história de um soldado que havia levado um tiro na cabeça e acordou com estranhos sintomas: não sabia responder se um elefante era maior do que uma formiga, por exemplo. A bala havia atingido 3 importantes áreas do cérebro do soldado: a que processa os sinais visuais, a que responde pelo som e pela linguagem e a que coordena as relações espaciais e integra as informações de diferentes sentidos — as mesmas que não funcionavam bem no cérebro de Barbara.

O que era promissor ficou ainda melhor quando Barbara se deparou com o estudo do psicólogo americano Mark Rosenzweig. Ele provou que ratos de laboratório que vivem em ambientes estimulantes aprendem mais do que os confinados em jaulas vazias. “Por 400 anos, a ciência acreditou que a anatomia do cérebro era imutável. Hoje, sabemos que é possível reorganizá-lo, mesmo quando danificado”, diz o psiquiatra canadense Norman Doidge, autor de O Cérebro que se Transforma. É a chamada neuroplasticidade. “São as mudanças que ocorrem quando fazemos novas sinapses, fortalecemos conexões pré-existentes e formamos novos neurônios em resposta aos estímulos externos”, afirma o neurologista Augusto Buchweitz, da PUC-RS.

A partir dessa ideia é que Barbara lançou-se no desafio de transformar seu próprio cérebro. O primeiro passo foi aprender a ver as horas. Para isso, desenhou relógios com diferentes horários em dezenas de cartões e se forçava, por tentativa e erro, a dizer que horas eram. No verso, estava a resposta. À medida que ia acertando, o exercício dificultava, com ponteiros para segundos e décimos de segundo. Depois de 4 anos de práticas diárias (uma média de 10 horas por dia ), Barbara conseguiu não só acertar as horas, como interpretar textos e fazer cálculos. “Comecei então a criar exercícios para estimular outras partes do meu cérebro”, diz. Foi assim que ela passou a estudar alfabetos, memorizar poemas e usar tapa-olhos (saiba mais no box abaixo).


Barbara acabou inventando uma técnica para ajudar pessoas com problemas semelhantes ao dela. A fundação Arrowsmith School, criada por ela em 1980, em Toronto, já atendeu mais de 4 mil estudantes — com diagnósticos de dislexia, hiperatividade ou déficit de atenção. Muitos foram para a faculdade e tiveram sucesso profissional. Ela não se esquece do menino que, aos 13 anos, não sabia ler nem escrever, e hoje trabalha no mercado financeiro. Apesar da eficácia não ter sido comprovada cientificamente, o programa já foi adotado em 40 escolas dos EUA, Canadá e Austrália. Mas o maior orgulho de Barbara é ajudar crianças que, como ela, poderiam ter se sentido incapazes por toda a vida. “Meu objetivo é abrir um mundo de possibilidades para essas pessoas.”

sexta-feira, 16 de novembro de 2012

Verdades da Profissão de Professor

Ninguém nega o valor da educação e que um bom professor é imprescindível. Mas, ainda que desejem bons professores para seus filhos, poucos pais desejam que seus filhos sejam professores. Isso nos mostra o reconhecimento que o trabalho de educar é duro, difícil e necessário, mas que permitimos que esses profissionais continuem sendo desvalorizados. Apesar de mal remunerados, com baixo prestígio social e responsabilizados pelo fracasso da educação, grande parte resiste e continua apaixonada pelo seu trabalho.
A data é um convite para que todos, pais, alunos, sociedade, repensemos nossos papéis e nossas atitudes, pois com elas demonstramos o compromisso com a educação que queremos. Aos professores, fica o convite para que não descuidem de sua missão de educar, nem desanimem diante dos desafios, nem deixem de educar as pessoas para serem “águias” e não apenas “galinhas”. Pois, se a educação sozinha não transforma a sociedade, sem ela, tampouco, a sociedade muda.
Paulo Freire